Física · Dinâmica

Forças

Peso · Normal · Tração · Atrito

2026
Roteiro

O que vamos ver

01
As quatro forças
O que aparece em quase todo problema
02
Força Peso
A atração da Terra, e como ela muda de astro
03
Força Normal
O apoio da superfície, e o erro clássico
04
Tensão
Fios, cabos e cordas
05
Força de atrito
Estático, cinético e os coeficientes
06
Diagrama de corpo livre
Como se resolve um problema de dinâmica
07
Aplicações e exercícios
Vestibular, ENEM e o dia a dia
01 Bloco 01

As quatro
forças

Tipos de força

As quatro forças principais

Peso
Atração gravitacional pela Terra.
Normal
Contato perpendicular entre superfícies.
Tensão
Tração em fios e cordas esticados.
Atrito
Contato paralelo, opõe-se ao deslizamento.
02 Bloco 02

Força
Peso

Força peso · gravitação

A lei da gravitação universal

Newton percebeu que a maçã que cai e a Lua que orbita obedecem à mesma regra: dois corpos quaisquer se atraem, com intensidade que cresce com as massas e cai com o quadrado da distância.

Fg = G · M · m
M e m: as massas dos dois corpos · d: distância entre os centros
G = 6,67 × 10−11 N·m²/kg², a mesma em todo o universo
Sol Terra Fg Fg d

As duas setas têm o mesmo tamanho: o Sol puxa a Terra tanto quanto a Terra puxa o Sol.

Força peso

O caso particular da Terra

Na superfície do planeta, dois dos três fatores param de variar: a massa que atrai é sempre a da Terra, e a distância é sempre o raio dela.

Fg = ( G · MTRT² ) · m

O que ficou entre parênteses é o mesmo para qualquer corpo aqui embaixo. É a essa grandeza que damos o nome de g:

P = m · g
g ≈ 9,8 m/s² na superfície da Terra, ou 10 m/s² quando a conta é de cabeça.
A troca vale enquanto a altura for pequena diante do raio do planeta, o que cobre tudo que fazemos por aqui.
P = m · g para o centro da Terra

O peso é a mesma força gravitacional da lei geral, escrita de um jeito mais curto.

Força peso

O mesmo corpo, pesos diferentes

1,6 NLua
3,7 NMarte
9,8 NTerra
24,8 NJúpiter

Cada barra é o peso de um corpo de 1 kg, e a altura dela é o próprio peso: a escala é linear, então as barras se comparam direto. A massa não muda de astro para astro; o peso, sim.

Força peso · Exercício

Com que força a Terra e a Lua se atraem?

Dados do problema
MT = 6,0 × 10²⁴ kg
ML = 7,3 × 10²² kg
d = 3,8 × 10⁸ m
G = 6,67 × 10⁻¹¹ N·m²/kg²
A distância d vai de centro a centro, e entra na conta ao quadrado.
MT Terra ML Lua Fg Fg d

As duas setas têm o mesmo tamanho: a Terra puxa a Lua tanto quanto a Lua puxa a Terra.

Força peso · Exercício · resolução

Com que força a Terra e a Lua se atraem?

Resolução
Fg = G · MT · ML
Fg = 6,67×10⁻¹¹ × 6,0×10²⁴ × 7,3×10²²(3,8×10⁸)²
Fg = 2,92×10³⁷1,44×10¹⁷
Fg2,0 × 10²⁰ N
É essa força que curva a trajetória da Lua. Sem ela, a Lua seguiria em linha reta e iria embora.

Pela 3ª Lei, a Lua puxa a Terra com os mesmos 2,0 × 10²⁰ N. Por isso os dois giram em torno de um ponto comum, a cerca de 4 700 km do centro da Terra, ainda dentro do planeta.
Força peso · Exercício

Qual é a força gravitacional entre duas caixas no chão?

Duas caixas iguais estão paradas no chão da sala, com os centros a 1,0 m uma da outra.

Dados do problema
m1 = m2 = 50 kg
d = 1,0 m
G = 6,67 × 10⁻¹¹ N·m²/kg²
g = 9,8 m/s²
Determine:
a) a força de atração gravitacional entre as duas caixas;
b) o peso de uma delas;
c) quantas vezes o peso é maior que essa atração.
m1 m2 F F d

Também aqui o d é medido de centro a centro.

Força peso · Exercício · resolução

Qual é a força gravitacional entre duas caixas no chão?

Resolução
a) F = G · m1 · m2
   F = 6,67×10⁻¹¹ × 50 × 501,0²
   F ≈ 1,7 × 10⁻⁷ N
b) P = m · g = 50 × 9,8 = 490 N
c) 4901,7 × 10⁻⁷3 × 10⁹

Por que ninguém nota. O peso de uma caixa é quase 3 bilhões de vezes maior que a atração entre as duas.

G é minúsculo. A atração só fica sensível quando pelo menos uma das massas é astronômica.
A gravidade não se cancela. Só existe massa positiva, então a de todos os átomos da Terra se soma. A força elétrica é muito mais forte, mas tem dois sinais e quase sempre se anula.
O atrito segura. Para a caixa andar, essa atração teria de vencer o atrito estático com o piso.
Força peso · Exercício

Quanto pesa um piano de cauda?

Dados do problema
m = 320 kg
gTerra = 9,8 m/s²
gLua = 1,6 m/s²
Determine:
a) o peso do piano na Terra;
b) o peso do mesmo piano na Lua;
c) a massa dele na Lua.
Força peso · Exercício · resolução

Quanto pesa um piano de cauda?

Resolução
a) P = 320 × 9,8 = 3 136 N
b) P = 320 × 1,6 = 512 N
c) m = 320 kg, a mesma
O piano pesa 6,1 vezes menos na Lua, a mesma razão entre os dois valores de g. A massa não muda: ela não depende de onde o corpo está.

Daria para resolver pela lei geral, com a massa e o raio de cada astro. O g já traz essa conta pronta.
Força peso · além da conta

O g que medimos não é só gravidade

O 9,8 m/s² não sai apenas de G·MT/RT². Ele é o que uma balança marca, e quem segura a balança está em pé num chão que gira.

Nesse referencial aparece uma força centrífuga, apontando para fora do eixo de rotação. Ela é máxima no equador, nula nos polos, e desconta do peso medido. Some-se o achatamento: o raio equatorial é 21 km maior, e G·M/R² já é menor lá.

9,832
m/s² no polo
9,780
m/s² no equador
0,034
m/s² só da rotação

Dos 0,052 m/s² de diferença entre polo e equador, dois terços vêm da rotação. Uma pessoa de 80 kg pesa cerca de 4 N a menos no equador.

Corte da Terra com um ponto a 45 graus de latitude. Do ponto saem a atração gravitacional, apontando para o centro, a força centrífuga, apontando para fora do eixo, e a resultante das duas, que é a direção do fio de prumo.

Nem o prumo aponta para o centro da Terra: ele segue a resultante. O desvio está exagerado no desenho.

03 Bloco 03

Força
Normal

Força normal

O que é a força normal

  • 01É uma força de contato, exercida entre duas superfícies, na direção perpendicular a elas.
  • 02Pode ser entendida como a força que impede um corpo de penetrar no outro.
  • 03Sem ela, um livro sobre a mesa continuaria caindo, e não conseguiríamos caminhar sobre o chão.
N
Força normal

Cuidado! A normal não é a reação do peso

O par do peso P no vaso P′ na Terra
A Terra puxa o vaso para baixo, e o vaso puxa a Terra para cima com o mesmo valor. Uma força age no vaso, a outra no planeta.
O par da normal N no vaso N′ na mesa
A mesa empurra o vaso para cima, e o vaso empurra a mesa para baixo. Outro par, entre outros dois corpos.

O cálculo da normal depende da situação: em geral, ela é obtida impondo que não há aceleração na direção perpendicular ao contato.

Força normal

A mesma força, três situações

Sobre a mesa N P N = P No plano inclinado 30° N P N = P · cos θ Contra a parede F N Fat P N = F

A normal é sempre perpendicular ao contato, e o valor dela sai de impor que nada acelera nessa direção. Só no primeiro caso isso resulta em N = P.

Força normal

Quando a normal passa muito do peso

Um corpo de 2,0 kg cai de 1,5 m e para ao bater no chão, depois de se deformar 5 mm. Toda a energia da queda tem de ser absorvida nesses 5 mm:

N · d = m · g · (h + d)
N = 2,0 × 9,8 × 1,5050,0055 900 N
5 900 N
a normal no impacto
300 ×
o peso do corpo
600 kg
é o que sustentaria parado

A razão entre as duas forças é a razão entre as duas distâncias: N/P ≈ h/d. Cortar o d pela metade dobra a normal. É por isso que capacete, tatame e airbag funcionam: nenhum deles diminui a energia, todos aumentam o d.

h d N P o d está exagerado no desenho
04 Bloco 04

Tensão

Força de tensão

A força que os fios transmitem

  • 01Fios e cordas esticados exercem e estão submetidos a uma força chamada tensão.
  • 02A tensão sempre aponta na direção do fio, e é considerada igual nos dois extremos.
  • 03Fios suportam um valor máximo de tensão, e é por isso que elevadores têm limite de passageiros.
T
Força de tensão

A tensão puxa, nunca empurra

Pendurado no teto T T P T = P Entre dois corpos T T sentidos opostos Na polia T T muda a direção Dois fios em ângulo T T P T > P / 2

Em todos os casos a tensão tem a direção do fio e puxa cada corpo para dentro dele. Nos dois extremos os sentidos são opostos e o valor é o mesmo, desde que o fio seja ideal. No último quadro, cada fio puxa com mais da metade do peso, e quanto mais abertos os fios, maior a tensão.

Força de tensão

O cabo do elevador

Cabine com passageiros: 800 kg. Aceleração de 1,2 m/s².

Parado ou em MRU T P a = 0 T = P Subindo, acelerando T P a T > P Descendo, acelerando T P a T < P
T − P = m · a
T = m · (g + a)
7 840 N
parado ou em MRU
8 800 N
subindo, acelerando
6 880 N
descendo, acelerando

O que conta é o sentido da aceleração, não o do movimento: descendo e freando dá o mesmo que subindo e acelerando. Se o cabo arrebentasse, T = 0 e todos flutuariam dentro da cabine; na prática o freio de segurança prende a cabine nas guias antes disso.

05 Bloco 05

Força de
atrito

Força de atrito

O que é a força de atrito

  • 01É uma força de contato, que uma superfície exerce na outra, como a normal.
  • 02A normal é perpendicular ao contato; o atrito é paralelo a ele.
  • 03Ele se opõe ao deslizamento entre as superfícies, ou à tendência de deslizar, e nem sempre ao movimento do corpo.
T N P Fat sentido do movimento →

A normal é perpendicular ao contato; o atrito é paralelo a ele. As duas nascem do mesmo contato.

Força de atrito

Por que existe atrito

Seco poucos pontos de contato real Com óleo o filme impede o contato

Nenhuma superfície é lisa. Ampliada o bastante, toda ela é serrilhada, e duas superfícies encostadas só se tocam de fato em alguns poucos pontos.

Nesses pontos os materiais chegam tão perto que aderem um ao outro. Deslizar exige romper essas ligações, e é daí que vem a maior parte do atrito.

Óleo ou água separam as superfícies: sem contato, não há adesão, e o atrito despenca.

Isso explica dois fatos que costumam ser decorados: apertar mais aumenta a área real de contato, e por isso o atrito cresce com a normal; e a área aparente não entra na conta, porque não é ela que está em contato.

Força de atrito

Atrito estático e atrito cinético

Estático F Fat o atrito iguala a força aplicada
Enquanto o sofá não anda, o atrito vale exatamente o que se está empurrando.
F = Fat
Ele acompanha a força aplicada até um valor máximo:
Fat,máx = μe · N
Cinético v Fat o atrito se opõe à velocidade
Depois que escorrega, o atrito não depende mais de quem empurra. Ele fica num valor fixo, menor que aquele teto, sempre contra a velocidade:
Fat = μc · N
Força de atrito · Exercício

Até onde o bloco resiste?

Um bloco de 1,0 kg está parado sobre uma mesa horizontal. O coeficiente de atrito estático entre os dois é μe = 0,5. Uma pessoa passa a empurrá-lo na horizontal, com forças cada vez maiores.

Dados do problema
m = 1,0 kg
μe = 0,5
g = 10 m/s²

Para cada força aplicada, determine quanto vale o atrito e diga se o bloco se move.

F Fat N P
F aplicadaatritoo bloco anda?
F = 2 N??
F = 4 N??
F = 5 N??
F = 6 N??
Força de atrito · Exercício · resolução

Até onde o bloco resiste?

FaeMáx = μₑ · N = 0,5 · 10 = 5 N
Força aplicadaAtrito estáticoO que acontece
F = 2 N2 NBloco parado — o atrito iguala a força aplicada
F = 4 N4 NBloco parado — ainda abaixo do máximo (5 N)
F = 5 N5 NLimiar — no ponto de começar a deslizar
F = 6 Npassa a cinéticoF supera o máximo — o bloco entra em movimento
Força de atrito

De onde saem os coeficientes

O μ não se calcula: ele se mede, para cada par de superfícies. O jeito mais simples é a rampa: vai-se inclinando até o corpo começar a escorregar.

No limiar, a componente do peso paralela à rampa iguala o atrito máximo. O mg some dos dois lados, e sobra:

μe = tg θ

A massa não aparece, então a mesma rampa serve para qualquer corpo daquele material. Para o cinético, mede-se a força que mantém o corpo deslizando em velocidade constante: aí a resultante é nula e a força aplicada iguala o atrito.

θ inclina até a caixa escorregar
Força de atrito

Valores típicos

Par de superfíciesμₑ (estático)μc (cinético)
Borracha — asfalto seco~1,0~0,8
Aço — aço0,740,57
Madeira — madeira0,420,30
Gelo — gelo0,100,03
Força de atrito

Por que a chuva assusta

A água se mete entre o pneu e o asfalto e derruba o μ pela metade. Como a distância de frenagem é inversamente proporcional a ele, ela dobra. A conta abaixo supõe a roda travada, deslizando, e por isso usa o μ cinético; com a roda girando o valor é outro, mas o efeito da água é o mesmo. Mesmo carro, mesmos 80 km/h:

asfalto seco · μ ≈ 0,8 31 m asfalto molhado · μ ≈ 0,4 63 m
d = v² / 2μg
a distância de frenagem
63 m
a 80 km/h, no molhado
49 m
a 100 km/h, no seco

Repare no par de números: 80 km/h na chuva precisa de mais pista que 100 km/h no seco. E nada disso conta o tempo de reação, que a 80 km/h come outros 22 m antes de o freio encostar.

Força de atrito

Rodas: o que segura e o que freia

Roda travada v Fat desliza · μc Roda girando ω v Fat não desliza · μe

Numa roda que rola sem escorregar, o ponto de contato está momentaneamente parado em relação ao chão. Não há deslizamento, então vale o atrito estático, com μe. Se a roda trava, ela passa a deslizar e vale o cinético, com μc, que é menor.

O que vai freando uma roda livre não é o atrito de deslizamento: é a resistência ao rolamento, que vem da deformação do pneu e do solo a cada volta. É outro mecanismo, e fica para outro momento.

É por isso que existe o ABS. Travar a roda joga o carro do atrito estático para o cinético, que é menor: o carro para em mais distância e ainda perde a direção. O ABS solta e aperta o freio muitas vezes por segundo para manter a roda girando.
06 Bloco 06

Diagrama de
corpo livre

Diagrama de corpo livre

Um desenho por corpo, só com o que age nele

A cena θ tudo o que existe no problema O corpo isolado T N Fat P só o corpo e o que age nele

Um corpo não sabe o que existe em volta dele: ele só sente as forças que agem nele. A rampa, o fio e o chão somem do desenho e ficam só o efeito de cada um, em forma de seta.

Diagrama de corpo livre

Os três passos

  • 01Isole cada corpo e desenhe, com setas, só as forças que agem sobre ele.
  • 02Escolha dois eixos perpendiculares e some as forças em cada um, decompondo o que não estiver sobre eles.
  • 03Aplique a 2ª Lei em cada eixo e resolva o sistema.
A ordem não é rígida. Se o enunciado já der a aceleração e pedir uma força, o passo 3 vira o primeiro a ser escrito. O que não muda é que cada corpo tem o seu diagrama e cada eixo, a sua equação.
Passo 01

Isolar cada corpo

  • Um desenho por corpo. Se há dois blocos ligados por um fio, são dois diagramas.
  • Entram só as forças que agem nele. A força que ele faz em outro corpo vai no diagrama do outro.
  • Percorra a lista: peso sempre; normal se há apoio; tração se há fio; atrito se há contato que desliza ou tende a deslizar.
Bloco apoiado num plano inclinado de trinta graus, abandonado do repouso, com a normal perpendicular à rampa, o atrito paralelo a ela apontando ladeira acima, e o peso na vertical.

O peso não precisa de contato. Os outros três, sim: cada um vem de alguma coisa encostada no bloco.

Passo 02

Escolher os eixos e decompor

Dois eixos perpendiculares, à escolha. A que compensa é alinhar um deles com a aceleração: na rampa, o corpo só acelera ao longo dela.

Aí a normal e o atrito já caem sobre os eixos, e sobra um único vetor para decompor, o peso:

Px = P · sen θ
Py = P · cos θ

Com eixos horizontal e vertical o problema não fica errado, fica mais trabalhoso: seria preciso decompor a normal e o atrito, e apareceriam duas acelerações no lugar de uma.

θ x y Px Py P Px = P · sen θ · Py = P · cos θ

Os eixos acompanham a rampa. A normal e o atrito já caem sobre eles; só o peso precisa ser decomposto.

Passo 03

Aplicar a 2ª Lei em cada eixo

Uma equação por eixo. No eixo em que o corpo não acelera, a soma das forças é zero, e em geral é dali que sai a normal.

Eixo com aceleraçãoΣFx = m · ax
Eixo sem aceleraçãoΣFy = 0
Cuidado com o sinal. Escolhido o sentido positivo de cada eixo, a força que aponta para o outro lado entra com menos. Se a conta devolver aceleração negativa, ela não está errada: o corpo acelera para o lado contrário ao eixo escolhido.
DCL · Exemplo 1

Um bloco de 4 kg é abandonado numa rampa de 30°, com μc = 0,20. Qual é a aceleração?

Dados do problema
m = 4,0 kg
θ = 30°
μc = 0,20
g = 10 m/s²
sen 30° = 0,50 · cos 30° = 0,87

Siga os três passos: isole o bloco, ponha os eixos na rampa e escreva uma equação para cada um.

30° m N Fat P abandonado do repouso

O atrito aponta ladeira acima: o bloco tende a descer.

DCL · Exemplo 1 · resolução

Um bloco de 4 kg é abandonado numa rampa de 30°, com μc = 0,20. Qual é a aceleração?

Eixo y · não acelera
N − P · cos θ = 0
N = 4 · 10 · 0,87 = 34,6 N
Fat = μc · N = 0,20 · 34,6 = 6,9 N
Eixo x · acelera
P · sen θ − Fat = m · a
4 · 10 · 0,50 − 6,9 = 4 · a
20 − 6,9 = 4a → a ≈ 3,3 m/s²

Repare na cadeia: o eixo y entrega a normal, a normal entrega o atrito, e só então o eixo x pode ser resolvido.

DCL · Exemplo 2

O corpo B puxa o bloco A, que desliza com atrito sobre a mesa. Quais são a aceleração e a tração?

Dados do problema
mA = 3,0 kg (na mesa)
mB = 2,0 kg (pendurado)
μc = 0,25
g = 10 m/s²

São dois diagramas, um para cada corpo. O fio é ideal, então a tração é a mesma nos dois, e inextensível, então a aceleração também.

Bloco A sobre uma mesa horizontal, ligado por um fio que passa por uma polia na borda da mesa ao corpo B, pendurado ao lado.

A polia muda a direção do fio, não o valor da tração.

DCL · Exemplo 2 · resolução

O corpo B puxa o bloco A, que desliza com atrito sobre a mesa. Quais são a aceleração e a tração?

Corpo A · na mesa
N = mA · g = 30 N
Fat = 0,25 · 30 = 7,5 N
T − 7,5 = 3a
Corpo B · pendurado
PB = mB · g = 20 N
20 − T = 2a
 
Somando as duas
20 − 7,5 = 5a
a = 2,5 m/s²
T = 15 N

Somando membro a membro, a tração se cancela e sobra só a aceleração. Depois, qualquer uma das duas equações devolve o T. Confira na outra: é o hábito que pega erro de sinal.

07 Bloco 07

Aplicações e
exercícios

Exercício · UFSC

Uma força de 8 N e outra de 5 N atuam num corpo, mantido em repouso por uma terceira força. Que valor essa força NÃO pode ter?

a) 12 N
b) 8 N
c) 14 N
d) 3 N
e) 4 N
Se o corpo está em repouso, a terceira força tem de anular a resultante das outras duas. Pergunte-se primeiro entre que valores essa resultante pode ficar.
Exercício · UFSC · resolução

Uma força de 8 N e outra de 5 N atuam num corpo, mantido em repouso por uma terceira força. Que valor essa força NÃO pode ter?

a) 12 N
b) 8 N
c) 14 N
d) 3 N
e) 4 N
Resolução
Alternativa c. A resultante de F₁=8N e F₂=5N varia entre |8−5|=3N e 8+5=13N. Como o corpo está em repouso, a terceira força deve anular essa resultante, e por isso seu módulo está entre 3N e 13N. 14 N está fora dessa faixa.
Exercício · lançamento vertical

Um menino lança uma bola verticalmente para cima. Desprezando a resistência do ar, qual força atua sobre a bola enquanto ela sobe, no topo e enquanto desce?

A B C
Desenhe o diagrama de corpo livre da bola nos três pontos: A, subindo; B, no ponto mais alto; C, descendo.
Exercício · lançamento vertical · resolução

Um menino lança uma bola verticalmente para cima. Desprezando a resistência do ar, qual força atua sobre a bola enquanto ela sobe, no topo e enquanto desce?

A B C
Resolução
Em A, B e C, a única força atuante é o peso, apontando sempre para baixo, mesmo quando a bola sobe. No topo (B), a velocidade é nula, mas a força (e a aceleração) continua sendo a gravidade, constante.
Exercício · UFSC-SC

Em "Viagem ao Céu", Monteiro Lobato afirma que uma laranja lançada para cima sobe enquanto a força que a lançou é maior que seu peso, e cai quando o peso se torna maior. O que está correto?

01) Na subida há uma força maior que o peso, empurrando a laranja para cima
02) No ponto mais alto, a velocidade é nula e todas as forças se anulam
04) Desprezando o ar, só a força peso atua sobre a laranja após o lançamento
08) Para a laranja parar de subir, a gravidade precisa ficar maior que a tal força
16) Desprezando o ar, a aceleração da laranja independe de sua massa
Exercício · UFSC-SC · resolução

Em "Viagem ao Céu", Monteiro Lobato afirma que uma laranja lançada para cima sobe enquanto a força que a lançou é maior que seu peso, e cai quando o peso se torna maior. O que está correto?

01) Na subida há uma força maior que o peso, empurrando a laranja para cima
02) No ponto mais alto, a velocidade é nula e todas as forças se anulam
04) Desprezando o ar, só a força peso atua sobre a laranja após o lançamento
08) Para a laranja parar de subir, a gravidade precisa ficar maior que a tal força
16) Desprezando o ar, a aceleração da laranja independe de sua massa
Resolução: 04 + 16 (soma = 20)
Lobato erra: não existe "força do lançamento" que perdura no ar. Após deixar a mão, só o peso atua (04 verdadeira). Como a = g independe de m, a aceleração não depende da massa (16 verdadeira). As afirmações 01, 02 e 08 descrevem essa força fantasma, por isso são falsas.
Fim

Em movimento
uniforme, sem parar

Piras na Física 2026
Créditos

Forças

Autoria
Lucas
Telichevesky
Professor de Física
Publicação
Piras na Física · 2026
pirasnafisica.com.br
Como citar
TELICHEVESKY, Lucas. Forças: apresentação de Física. Piras na Física, 2026. Disponível em: https://pirasnafisica.com.br/disciplinas/fisica_1_mecanica/apresentacoes/forcas-newton/. Acesso em: [data].
Este material
Faz parte do pirasnafisica.com.br, portal gratuito de Física para o Ensino Médio brasileiro, com textos, banco de questões e simulações.
1 / 19
← Portal
← → navegar · F tela cheia · N notas