Peso · Normal · Tração · Atrito
Newton percebeu que a maçã que cai e a Lua que orbita obedecem à mesma regra: dois corpos quaisquer se atraem, com intensidade que cresce com as massas e cai com o quadrado da distância.
As duas setas têm o mesmo tamanho: o Sol puxa a Terra tanto quanto a Terra puxa o Sol.
Na superfície do planeta, dois dos três fatores param de variar: a massa que atrai é sempre a da Terra, e a distância é sempre o raio dela.
O que ficou entre parênteses é o mesmo para qualquer corpo aqui embaixo. É a essa grandeza que damos o nome de g:
O peso é a mesma força gravitacional da lei geral, escrita de um jeito mais curto.
Cada barra é o peso de um corpo de 1 kg, e a altura dela é o próprio peso: a escala é linear, então as barras se comparam direto. A massa não muda de astro para astro; o peso, sim.
As duas setas têm o mesmo tamanho: a Terra puxa a Lua tanto quanto a Lua puxa a Terra.
Duas caixas iguais estão paradas no chão da sala, com os centros a 1,0 m uma da outra.
Também aqui o d é medido de centro a centro.
Por que ninguém nota. O peso de uma caixa é quase 3 bilhões de vezes maior que a atração entre as duas.
O 9,8 m/s² não sai apenas de G·MT/RT². Ele é o que uma balança marca, e quem segura a balança está em pé num chão que gira.
Nesse referencial aparece uma força centrífuga, apontando para fora do eixo de rotação. Ela é máxima no equador, nula nos polos, e desconta do peso medido. Some-se o achatamento: o raio equatorial é 21 km maior, e G·M/R² já é menor lá.
Dos 0,052 m/s² de diferença entre polo e equador, dois terços vêm da rotação. Uma pessoa de 80 kg pesa cerca de 4 N a menos no equador.
Nem o prumo aponta para o centro da Terra: ele segue a resultante. O desvio está exagerado no desenho.
O cálculo da normal depende da situação: em geral, ela é obtida impondo que não há aceleração na direção perpendicular ao contato.
A normal é sempre perpendicular ao contato, e o valor dela sai de impor que nada acelera nessa direção. Só no primeiro caso isso resulta em N = P.
Um corpo de 2,0 kg cai de 1,5 m e para ao bater no chão, depois de se deformar 5 mm. Toda a energia da queda tem de ser absorvida nesses 5 mm:
A razão entre as duas forças é a razão entre as duas distâncias: N/P ≈ h/d. Cortar o d pela metade dobra a normal. É por isso que capacete, tatame e airbag funcionam: nenhum deles diminui a energia, todos aumentam o d.
Em todos os casos a tensão tem a direção do fio e puxa cada corpo para dentro dele. Nos dois extremos os sentidos são opostos e o valor é o mesmo, desde que o fio seja ideal. No último quadro, cada fio puxa com mais da metade do peso, e quanto mais abertos os fios, maior a tensão.
Cabine com passageiros: 800 kg. Aceleração de 1,2 m/s².
O que conta é o sentido da aceleração, não o do movimento: descendo e freando dá o mesmo que subindo e acelerando. Se o cabo arrebentasse, T = 0 e todos flutuariam dentro da cabine; na prática o freio de segurança prende a cabine nas guias antes disso.
A normal é perpendicular ao contato; o atrito é paralelo a ele. As duas nascem do mesmo contato.
Nenhuma superfície é lisa. Ampliada o bastante, toda ela é serrilhada, e duas superfícies encostadas só se tocam de fato em alguns poucos pontos.
Nesses pontos os materiais chegam tão perto que aderem um ao outro. Deslizar exige romper essas ligações, e é daí que vem a maior parte do atrito.
Óleo ou água separam as superfícies: sem contato, não há adesão, e o atrito despenca.
Isso explica dois fatos que costumam ser decorados: apertar mais aumenta a área real de contato, e por isso o atrito cresce com a normal; e a área aparente não entra na conta, porque não é ela que está em contato.
Um bloco de 1,0 kg está parado sobre uma mesa horizontal. O coeficiente de atrito estático entre os dois é μe = 0,5. Uma pessoa passa a empurrá-lo na horizontal, com forças cada vez maiores.
Para cada força aplicada, determine quanto vale o atrito e diga se o bloco se move.
O μ não se calcula: ele se mede, para cada par de superfícies. O jeito mais simples é a rampa: vai-se inclinando até o corpo começar a escorregar.
No limiar, a componente do peso paralela à rampa iguala o atrito máximo. O mg some dos dois lados, e sobra:
A massa não aparece, então a mesma rampa serve para qualquer corpo daquele material. Para o cinético, mede-se a força que mantém o corpo deslizando em velocidade constante: aí a resultante é nula e a força aplicada iguala o atrito.
A água se mete entre o pneu e o asfalto e derruba o μ pela metade. Como a distância de frenagem é inversamente proporcional a ele, ela dobra. A conta abaixo supõe a roda travada, deslizando, e por isso usa o μ cinético; com a roda girando o valor é outro, mas o efeito da água é o mesmo. Mesmo carro, mesmos 80 km/h:
Repare no par de números: 80 km/h na chuva precisa de mais pista que 100 km/h no seco. E nada disso conta o tempo de reação, que a 80 km/h come outros 22 m antes de o freio encostar.
Numa roda que rola sem escorregar, o ponto de contato está momentaneamente parado em relação ao chão. Não há deslizamento, então vale o atrito estático, com μe. Se a roda trava, ela passa a deslizar e vale o cinético, com μc, que é menor.
O que vai freando uma roda livre não é o atrito de deslizamento: é a resistência ao rolamento, que vem da deformação do pneu e do solo a cada volta. É outro mecanismo, e fica para outro momento.
Um corpo não sabe o que existe em volta dele: ele só sente as forças que agem nele. A rampa, o fio e o chão somem do desenho e ficam só o efeito de cada um, em forma de seta.
O peso não precisa de contato. Os outros três, sim: cada um vem de alguma coisa encostada no bloco.
Dois eixos perpendiculares, à escolha. A que compensa é alinhar um deles com a aceleração: na rampa, o corpo só acelera ao longo dela.
Aí a normal e o atrito já caem sobre os eixos, e sobra um único vetor para decompor, o peso:
Com eixos horizontal e vertical o problema não fica errado, fica mais trabalhoso: seria preciso decompor a normal e o atrito, e apareceriam duas acelerações no lugar de uma.
Os eixos acompanham a rampa. A normal e o atrito já caem sobre eles; só o peso precisa ser decomposto.
Uma equação por eixo. No eixo em que o corpo não acelera, a soma das forças é zero, e em geral é dali que sai a normal.
Siga os três passos: isole o bloco, ponha os eixos na rampa e escreva uma equação para cada um.
O atrito aponta ladeira acima: o bloco tende a descer.
Repare na cadeia: o eixo y entrega a normal, a normal entrega o atrito, e só então o eixo x pode ser resolvido.
São dois diagramas, um para cada corpo. O fio é ideal, então a tração é a mesma nos dois, e inextensível, então a aceleração também.
A polia muda a direção do fio, não o valor da tração.
Somando membro a membro, a tração se cancela e sobra só a aceleração. Depois, qualquer uma das duas equações devolve o T. Confira na outra: é o hábito que pega erro de sinal.