Física · Mecânica

Energia
mecânica

Energia · Trabalho · Cinética · Potencial · Conservação

2026
Ponto de partida

Três histórias do dia a dia

Corpo
Comer e correr
Comemos, corremos, subimos escadas, e depois de um tempo precisamos comer de novo.
Vento
Girar e acender
O vento gira as pás de um cata-vento, o gerador produz eletricidade, e uma lâmpada acende.
Carro
Queimar e andar
O combustível queima no motor, o motor gira as rodas, e o carro se move.
O que as três histórias têm em comum?
Ponto de partida

Então, o que é energia?

Nas três histórias, alguma coisa passa de um corpo para outro e muda de forma no caminho: do alimento para os músculos, do vento para a lâmpada, do combustível para as rodas. A essa coisa damos o nome de energia.

“É importante perceber que, na física de hoje, não temos conhecimento do que a energia é.”

Richard Feynman

O que se sabe fazer é contá-la. Existe uma quantidade que, somada em todas as suas formas, nunca muda. Esta aula é sobre aprender a fazer essa conta nos movimentos.

Roteiro

O que vamos ver

01
Energia
Formas, transformações e unidades
02
Trabalho
Como a energia passa de um corpo a outro
03
Energia cinética
A energia do movimento
04
Energia potencial
A energia guardada na altura e na mola
05
Energia mecânica
A soma, e quando ela se conserva
06
Síntese
Um quadro com tudo junto
01 Bloco 01

Energia: a ideia geral

Ela se transforma, passa de um corpo a outro e, somada, não muda.

Energia

Três verbos para a energia

01
Se transforma
Muda de forma. A energia química do combustível vira energia de movimento do carro, e uma parte vira calor no motor.
02
Se transfere
Passa de um corpo a outro. O pé transfere energia à bola no chute; a chama transfere energia à panela.
03
Se conserva
Somada em todas as formas, a quantidade de energia não muda. Ela não é criada nem destruída, só muda de lugar e de forma.
Cabe perceber que, no dia a dia, “gastar energia” quer dizer transformá-la numa forma que já não conseguimos aproveitar, quase sempre calor. A energia continua lá; o que se perde é a utilidade dela.
Energia

A energia que move a bicicleta veio do Sol

luminosaquímicaquímicacinéticaSolplantaalimentocorpomovimento+ térmica

Cada etapa recebe a energia da anterior e a entrega em outra forma. Em nenhuma delas a energia aparece do nada: a conta da cadeia inteira sempre fecha.

Energia

Os blocos embaixo do tapete

Uma criança tem 28 blocos de brinquedo. Todo fim de dia, a mãe os conta e encontra 28. Um dia, encontra 27. Procura e acha o que faltava embaixo do tapete. Noutro dia, encontra 30: um amigo veio brincar e esqueceu dois.

Feynman usava essa história para explicar a conservação da energia. Quando a conta não fecha, a energia não sumiu nem surgiu do nada: ela está num lugar que ainda não olhamos, ou entrou por um caminho que não consideramos.

Na Física, o “tapete” costuma ser a energia térmica. É para lá que vai a energia que parece desaparecer quando um corpo para por causa do atrito.
Energia

Em que unidade se mede energia

UnidadeSímboloEquivale aOnde aparece
joule Junidade do SINas contas de Física
caloriacal1 cal ≈ 4,18 JProblemas de calor e temperatura
quilocaloriakcal1 kcal = 1000 calRótulos de alimentos
quilowatt-horakWh1 kWh = 3,6 · 106 JConta de luz
Para dar tamanho ao joule: 1 J é, aproximadamente, a energia para erguer uma maçã de 100 g a 1 m de altura. Por que é assim fica claro no bloco 4.
Exercícios · Energia

Exercício 1

O rótulo de uma barra de cereal informa 90 kcal por unidade.
INFORMAÇÃO NUTRICIONAL porção de 25 g (1 barra) Valor energético 90 kcal Carboidratos 15 g Proteínas 2,0 g Gorduras totais 2,5 g Fibra alimentar 1,8 g
Pede-se
aA energia da barra em joules
bQuantas maçãs de 100 g ela permitiria erguer a 1 m de altura
Pista1 kcal = 1000 cal e 1 cal ≈ 4,18 J.
Exercícios · Energia

Exercício 1 · resolução

90 kcal · 1 kcal = 1000 cal · 1 cal ≈ 4,18 J · maçã a 1 m ≈ 1 J
INFORMAÇÃO NUTRICIONAL porção de 25 g (1 barra) Valor energético 90 kcal Carboidratos 15 g Proteínas 2,0 g Gorduras totais 2,5 g Fibra alimentar 1,8 g
1
De quilocaloria para caloria:90 kcal = 90 · 1000 cal = 90 000 cal
2
De caloria para joule:90 000 · 4,18 J ≈ 376 000 J ≈ 3,8 · 105 J
✓
Cada maçã erguida a 1 m custa cerca de 1 J:≈ 376 000 maçãs
Uma barrinha de cereal pagaria a subida de 376 mil maçãs. O pomar agradece.
Exercícios · Energia

Exercício 2

Um aerogerador alimenta uma lâmpada incandescente. Qual sequência descreve as transformações de energia, do vento até o ambiente?
a)elétrica → cinética → luminosa e térmica
b)cinética do vento → cinética das pás → elétrica → luminosa e térmica
c)cinética → elétrica → cinética → luminosa
d)térmica → cinética → elétrica → luminosa
e)luminosa → elétrica → cinética das pás
Exercícios · Energia

Exercício 2 · resolução

a)elétrica → cinética → luminosa e térmica
b)cinética do vento → cinética das pás → elétrica → luminosa e térmica
c)cinética → elétrica → cinética → luminosa
d)térmica → cinética → elétrica → luminosa
e)luminosa → elétrica → cinética das pás

O vento tem energia de movimento, que ele transfere às pás. O gerador transforma o giro em energia elétrica, e a lâmpada incandescente transforma a elétrica em luz e em calor.

02 Bloco 02

Trabalho

Como uma força transfere energia de um corpo a outro.

Trabalho

Duas maneiras de transferir energia

Por uma força
Trabalho
Um corpo empurra ou puxa outro, e o outro se desloca. A energia passa junto com o deslocamento.
Por temperatura
Calor
Um corpo mais quente aquece um mais frio. A energia passa sem que nada precise se deslocar.
Trabalho

Força que desloca transfere energia

energia transferida ao bloco W = F · d m F d

Uma força realiza trabalho quando o corpo se desloca enquanto ela age. O trabalho é a energia transferida por essa força.

W = F · d
força na direção do deslocamento

Unidade: 1 J = 1 N · 1 m. Um joule é o trabalho de uma força de 1 N ao longo de 1 m.

Trabalho, em Física, não é esforço. Segurar uma mala parada cansa, mas a mala não se desloca, e por isso não recebe energia nenhuma.
Trabalho

E se a força estiver inclinada?

m θ F F · cos θ F · sen θ deslocamento d

Só a componente da força na direção do deslocamento transfere energia:

W = F · d · cos θ
θcos θtrabalho
0°1máximo, W = F · d
90°0nulo
180°−1negativo, W = −F · d
Trabalho

O sinal diz para onde vai a energia

v F W > 0 a força a favor do movimento v Fat W < 0 a força contra o movimento v N W = 0 a força perpendicular ao movimento
W > 0 · motor
A força entrega energia
Aponta a favor do movimento. É o empurrão, o motor, a corda que puxa.
W < 0 · resistente
A força retira energia
Aponta contra o movimento. É o atrito, a resistência do ar, o freio.
W = 0 · nulo
A força não troca energia
É perpendicular ao movimento, como a normal e o peso num piso horizontal.
Exercícios · Trabalho

Exercício 3

Uma criança puxa um carrinho com uma corda que faz 60° com o chão. A força na corda vale 20 N, e o carrinho anda 5 m em linha reta pelo chão.
m θ F F · cos θ F · sen θ deslocamento d
Pede-se
aO trabalho da força da corda
bO trabalho, se a criança puxasse com a corda na horizontal
PistaSó conta a parte da força que aponta na direção em que o carrinho anda. cos 60° = 0,5.
Exercícios · Trabalho

Exercício 3 · resolução

F = 20 N · θ = 60° · d = 5 m · cos 60° = 0,5
m θ F F · cos θ F · sen θ deslocamento d
1
Trabalho com a força inclinada:W = F · d · cos θ = 20 · 5 · cos 60°
2
Como cos 60° = 0,5:W = 20 · 5 · 0,5 = 50 J
3
Com a corda na horizontal, θ = 0° e cos 0° = 1:W = 20 · 5 · 1 = 100 J
A mesma força, puxada na horizontal, transfere o dobro de energia.
Exercícios · Trabalho

Exercício 4

Um carrinho de supermercado é empurrado com uma força horizontal de 30 N ao longo de 10 m de piso horizontal. O atrito vale 10 N.
F N P Fat d = 10 m
Pede-se
aO trabalho de cada uma das quatro forças
bO trabalho total sobre o carrinho
PistaPara cada força, pergunte: ela aponta a favor, contra, ou perpendicular ao movimento?
Exercícios · Trabalho

Exercício 4 · resolução

F = 30 N · Fat = 10 N · d = 10 m
F N P Fat d = 10 m
1
Força da pessoa, a favor do movimento:WF = + 30 · 10 = + 300 J
2
Atrito, contra o movimento:Wat = − 10 · 10 = − 100 J
3
Peso e normal, perpendiculares:WP = 0 · WN = 0
✓
Trabalho total, a soma dos quatro:Wtotal = 300 − 100 + 0 + 0 = 200 J
Guarde este número: 200 J entraram no carrinho. Onde estão? O próximo bloco responde.
03 Bloco 03

Energia cinética

A energia que um corpo tem por estar em movimento.

Energia cinética

A energia de quem está em movimento

Energia cinética é a energia que um corpo tem por estar em movimento. O nome vem do grego kinesis, movimento. Parado, o corpo não tem energia cinética nenhuma.

Mesma velocidade
Caminhão ou bicicleta?
A 20 km/h, o caminhão que bate num muro faz um estrago que a bicicleta não faz. Mais massa, mais energia.
Mesma massa
Bola parada ou chutada?
A mesma bola de futebol, rolando devagar ou chutada com força, tem energias muito diferentes. Mais velocidade, mais energia.
A pergunta
De que modo cada uma entra?
Massa e velocidade aumentam a energia. Mas dobrar a massa e dobrar a velocidade têm o mesmo efeito? A dedução responde.
Energia cinética

Quanto trabalho para pôr um corpo em movimento?

m v0 = 0 FR m FR v d
1
O bloco, de massa m, parte do repouso e é empurrado por uma força resultante constante ao longo de d. O trabalho dessa força é:WR = FR · d
2
A segunda lei de Newton liga a força resultante à aceleração:FR = m · a
3
Substituindo no trabalho:WR = m · a · d
Energia cinética

Do trabalho à energia do movimento

A equação de Torricelli, com o bloco partindo do repouso, v0 = 0:v² = v0² + 2 · a · dv² = 2 · a · d  →  a · d = v²2
Substituindo a · d no trabalho:WR = m · v²2
Toda essa energia ficou com o bloco, na forma de movimento. É a energia cinética:Ec = m · v²2
Energia cinética

A fórmula

Ec = m · v²2
Ecenergia cinética, em joules (J)
mmassa, em quilogramas (kg)
vvelocidade, em metros por segundo (m/s)
Cabe perceber que a velocidade entra ao quadrado. Dobrar a massa dobra a energia; dobrar a velocidade a quadruplica.
Energia cinética

O trabalho total muda a energia cinética

Wtotal = Ec,f − Ec,i
Wtotalsoma dos trabalhos de todas as forças
Ec,fenergia cinética no fim
Ec,ienergia cinética no início
De volta ao carrinho do exercício 4: o trabalho total foi de 200 J. Pelo teorema, a energia cinética do carrinho aumentou exatamente 200 J. Era para lá que a energia tinha ido.
Energia cinética

Dobrar a velocidade quadruplica a frenagem

começa a frear d 4d velocidade v velocidade 2v

Para parar, o freio precisa retirar toda a energia cinética do carro. O trabalho do atrito é Fat · d, e a força de atrito é a mesma nos dois.

Com o dobro da velocidade:Ec = m · (2v)²2 = 4 · m · v²2
Quatro vezes mais energia, com a mesma força, exige quatro vezes mais distância para parar.
Exercícios · Energia cinética

Exercício 5

Um bloco de madeira de massa 3 kg se move a 4 m/s.
Pede-se
aA energia cinética do bloco
bA energia cinética, se a velocidade dobrasse
PistaPrimeiro eleve a velocidade ao quadrado, depois multiplique pela massa e divida por 2.
Exercícios · Energia cinética

Exercício 5 · resolução

m = 3 kg · v = 4 m/s
1
Energia cinética:Ec = m · v²2 = 3 · 4²2 = 3 · 162 = 24 J
2
Com o dobro da velocidade, 8 m/s:Ec = 3 · 8²2 = 96 J = 4 · 24 J
Exercícios · Energia cinética

Exercício 6

Um carro a 40 km/h precisa de 10 m para parar numa freada de emergência. Com o mesmo freio e o mesmo piso, de quantos metros ele precisa a 80 km/h?
a)10 m
b)20 m
c)40 m
d)80 m
e)160 m
Exercícios · Energia cinética

Exercício 6 · resolução

a)10 m
b)20 m
c)40 m
d)80 m
e)160 m
1
A velocidade dobra, e a energia cinética quadruplica:Ec(80) = 4 · Ec(40)
2
O atrito é o mesmo, e o trabalho dele precisa retirar 4 vezes mais energia:Fat · d' = 4 · Fat · 10
3
Logo:d' = 4 · 10 = 40 m
Por isso a placa de 80 km/h não representa o dobro do perigo da de 40 km/h. Representa o quádruplo.
04 Bloco 04

Energia potencial

A energia guardada na posição, que pode voltar a ser movimento.

Energia potencial

A energia que fica guardada

Energia potencial é a energia guardada na posição dos corpos, pronta para voltar a ser movimento. “Potencial” tem aqui o sentido de possível: ela ainda não é movimento, mas pode vir a ser.

h
Na altura
Potencial gravitacional
Um corpo erguido guarda energia. Solto, ele cai, e a energia guardada vira movimento. Nasce do trabalho do peso.
Na deformação
Potencial elástica
Uma mola comprimida ou esticada guarda energia. Solta, ela empurra, e a energia vira movimento. Nasce do trabalho da força elástica.
Energia potencial gravitacional

Quanto trabalho para erguer uma caixa?

h F = P Epg m · g · h
1
A caixa sobe com velocidade constante, então a força resultante é nula:FR = m · a = 0F − P = 0  →  F = P = m · g
2
O trabalho da força da mão ao longo da altura h:Wmão = F · h = m · g · h
3
Esse trabalho fica guardado na altura da caixa. É a energia potencial gravitacional:Epg = m · g · h
Energia potencial gravitacional

Na subida guarda, na descida devolve

subindo Fmão Wmão = + m · g · h Epg descendo P v Wpeso = + m · g · h Ec
Na subida, o peso aponta contra o movimento e realiza trabalho negativo: ele retira da caixa os m · g · h que a mão entregou e os guarda como energia potencial. Na descida, ele os devolve.
Energia potencial gravitacional

A fórmula

Epg = m · g · h
Epgenergia potencial gravitacional, em J
mmassa, em kg
gaceleração da gravidade, ≈ 10 m/s²
haltura acima do nível zero, em m
Agora dá para conferir a maçã do bloco 1: m · g · h = 0,1 · 10 · 1 = 1 J.
Energia potencial gravitacional

O nível zero é escolha sua

zero 1: o chão 0,8 m zero 2: a mesa livro de 1 kg sobre a mesa a partir do chão: Epg = 8 J a partir da mesa: Epg = 0

O valor de Epg depende de onde se põe o nível zero. O que acontece com o livro, não.

Se ele cair da mesa ao chão, perde 8 J de energia potencial nos dois referenciais: de 8 J para 0, ou de 0 para −8 J.

Escolha o zero onde a conta fica mais simples, quase sempre no ponto mais baixo do problema. O que importa é a variação de Epg, e ela não depende da escolha.
Energia potencial gravitacional

O caminho não importa, só a altura

h A · escada C · elevador B · rampa três caminhos, a mesma altura h

Para o peso, só conta o deslocamento na vertical: nos trechos horizontais, ele é perpendicular ao movimento e não realiza trabalho. Por qualquer caminho, a energia potencial ganha é a mesma, m · g · h.

Energia potencial gravitacional

Uma usina feita de altura

G h Epg da água Ec na tubulação elétrica luminosa

A represa guarda a água no alto. Ao descer pela tubulação, a energia potencial vira cinética, a água gira a turbina, e o gerador entrega energia elétrica.

1 m³ de água, 1000 kg, descendo 100 m:Epg = 1000 · 10 · 100 = 106 J
Quanto maior a altura da queda, mais energia por litro de água. É por isso que as usinas ficam em rios com desnível.
Exercícios · Energia potencial

Exercício 7

João, na academia, ergue um halter de 50 kg do chão até 2 m de altura. Considere g = 10 m/s² e o nível zero no chão.
2 m m = 50 kg
Pede-se
aA energia potencial do halter lá em cima
bO trabalho realizado pelo peso durante a subida
cA energia cinética com que ele chegaria ao chão, se caísse (sem resistência do ar)
Exercícios · Energia potencial

Exercício 7 · resolução

m = 50 kg · h = 2 m · g = 10 m/s²
2 m m = 50 kg
1
Energia potencial no alto:Epg = m · g · h = 50 · 10 · 2 = 1000 J
2
O peso aponta contra a subida:WP = − 1000 J
3
Na queda, o peso devolve o que guardou:Ec = 1000 J ao chegar ao chão
Exercícios · Energia potencial

Exercício 8

Uma pessoa de 60 kg sobe ao topo de um prédio de 3 m de altura de três jeitos: pela escada (A), pela rampa (B) e pelo elevador (C). Em qual deles a energia potencial gravitacional dela aumenta mais?
h A · escada C · elevador B · rampa três caminhos, a mesma altura h
a)na escada
b)na rampa, que é mais longa
c)no elevador, que é mais rápido
d)nos três, igualmente
e)depende da velocidade da subida
Exercícios · Energia potencial

Exercício 8 · resolução

a)na escada
b)na rampa, que é mais longa
c)no elevador, que é mais rápido
d)nos três, igualmente
e)depende da velocidade da subida
Nos três caminhos, a altura vencida é a mesma:Epg = 60 · 10 · 3 = 1800 J
Energia potencial elástica

A força da mola cresce com a deformação

x = 0 Fel

Esticada ou comprimida, a mola puxa ou empurra o bloco de volta ao comprimento natural. A força é proporcional à deformação:

Fel = k · x
k · constante elástica, em N/m: quão dura é a mola
x · deformação, em m: quanto ela foi esticada ou comprimida
Energia potencial elástica

A área do gráfico é o trabalho

deformação Fel k · x x área = trabalho
1
A força cresce de zero até k · x ao longo da deformação. Não é constante, e por isso não vale F · x.
2
O trabalho é a área sob o gráfico, um triângulo de base x e altura k · x:W = x · k · x2
3
Esse trabalho fica guardado na mola. É a energia potencial elástica:Epe = k · x²2
Energia potencial elástica

A fórmula

Epe = k · x²2
Epeenergia potencial elástica, em J
kconstante elástica, em N/m
xdeformação, em m
A deformação também entra ao quadrado: comprimir a mola o dobro guarda quatro vezes mais energia. E cabe lembrar que x vai em metros: 10 cm são 0,1 m.
Exercícios · Energia potencial

Exercício 9

Uma mola de constante elástica k = 200 N/m está comprimida 10 cm por um bloco encostado nela.
sem deformação x = 10 cm k = 200 N/m
Pede-se
aA força que a mola faz no bloco
bA energia potencial elástica guardada na mola
cA energia guardada, se a compressão fosse de 20 cm
PistaAntes de tudo, passe a deformação para metros.
Exercícios · Energia potencial

Exercício 9 · resolução

k = 200 N/m · x = 10 cm
sem deformação x = 10 cm k = 200 N/m
1
Em metros:x = 10 cm = 0,1 m
2
Força que a mola faz no bloco:Fel = k · x = 200 · 0,1 = 20 N
3
Energia guardada:Epe = 200 · 0,1²2 = 200 · 0,012 = 1 J
4
Com 20 cm de compressão:Epe = 200 · 0,2²2 = 4 J
05 Bloco 05

Energia mecânica e sua conservação

A soma das energias de movimento e de posição, e quando ela não muda.

Energia mecânica

A soma das energias de movimento e de posição

Em = Ec + Epg + Epe
movimento
Cinética
m · v² / 2
altura
Potencial gravitacional
m · g · h
deformação
Potencial elástica
k · x² / 2
Energia mecânica

Sem atrito, o que uma perde a outra ganha

nível zero h sem atrito · m = 50 kg · altura de partida 4 m Ec0 JEpg0 JEm0 J início: 2000 J

Na descida, a energia potencial vira cinética; na subida, a cinética volta a ser potencial. A soma das duas, a energia mecânica, fica o tempo todo em 2000 J.

Energia mecânica

A conservação, e a condição dela

Em,inicial = Em,final
Conservam
Peso e força elástica
O trabalho delas só troca energia potencial por cinética, e a soma fica igual.
Não atrapalha
Normal perpendicular
Se a normal é perpendicular ao movimento, ela não realiza trabalho nenhum.
Quebram
Atrito e resistência do ar
Transformam energia mecânica em térmica. Com eles, a energia mecânica diminui. Assunto da próxima aula.
Energia mecânica

Quatro passos para resolver

1
Conferir se só o peso e a força elástica realizam trabalho. Se houver atrito relevante, a conservação não vale.
2
Escolher o nível zero da altura, de preferência no ponto mais baixo do problema.
3
Escrever a energia mecânica no ponto inicial e no ponto final, termo a termo:Ec,i + Epg,i + Epe,i = Ec,f + Epg,f + Epe,f
4
Cortar os termos que são zero (corpo parado, no nível zero, mola relaxada) e isolar o que se pede.
Exercícios · Conservação

Exercício 10

Uma bola é solta, a partir do repouso, de uma altura de 5 m. Despreze a resistência do ar e use g = 10 m/s².
v = ? 5 m v0 = 0
Pede-se
aA velocidade da bola ao chegar ao chão
bPor que não foi preciso saber a massa da bola?
Exercícios · Conservação

Exercício 10 · resolução

h = 5 m · v0 = 0 · g = 10 m/s² · sem resistência do ar
v = ? 5 m v0 = 0
1
Zero no chão. No alto a bola está parada; no chão, está no nível zero:Em,i = m · g · h    Em,f = m · v²2
2
Igualando, a massa se cancela:m · g · h = m · v²2  →  v² = 2 · g · h
3
Com os valores:v² = 2 · 10 · 5 = 100  →  v = 10 m/s
Exercícios · Conservação

Exercício 11

Uma mola de k = 800 N/m, comprimida 0,2 m, lança um bloco de 0,4 kg por um piso liso. Depois, o bloco sobe uma rampa também lisa.
0,4 kg k = 800 N/m mola comprimida 0,2 m ? h
Pede-se
aA energia guardada na mola
bA velocidade do bloco ao deixar a mola
cA altura máxima que ele atinge na rampa
PistaSiga a energia: da mola para o movimento, do movimento para a altura.
Exercícios · Conservação

Exercício 11 · resolução

k = 800 N/m · x = 0,2 m · m = 0,4 kg · sem atrito
0,4 kg k = 800 N/m mola comprimida 0,2 m ? h
1
Energia guardada na mola:Epe = 800 · 0,2²2 = 800 · 0,042 = 16 J
2
Toda ela vira cinética ao deixar a mola:16 = 0,4 · v²2  →  v² = 80  →  v ≈ 8,9 m/s
3
No ponto mais alto da rampa, o bloco para, e toda a energia é gravitacional:16 = 0,4 · 10 · h  →  h = 4 m
Exercícios · ENEM

Exercício 12

Etapa IAtleta corre com a varaEtapa IIAtleta apoia a vara no chãoEtapa IIIAtleta atinge certa alturaEtapa IVAtleta cai em um colchão
(Enem 2011) Uma das modalidades presentes nas olimpíadas é o salto com vara. As etapas de um dos saltos de um atleta estão representadas na figura. Desprezando-se as forças dissipativas (resistência do ar e atrito), para que o salto atinja a maior altura possível, ou seja, o máximo de energia seja conservada, é necessário que
a)a energia cinética, representada na etapa I, seja totalmente convertida em energia potencial elástica representada na etapa IV.
b)a energia cinética, representada na etapa II, seja totalmente convertida em energia potencial gravitacional, representada na etapa IV.
c)a energia cinética, representada na etapa I, seja totalmente convertida em energia potencial gravitacional, representada na etapa III.
d)a energia potencial gravitacional, representada na etapa II, seja totalmente convertida em energia potencial elástica, representada na etapa IV.
e)a energia potencial gravitacional, representada na etapa I, seja totalmente convertida em energia potencial elástica, representada na etapa III.
Exercícios · ENEM

Exercício 12 · resolução

Etapa IAtleta corre com a varaEtapa IIAtleta apoia a vara no chãoEtapa IIIAtleta atinge certa alturaEtapa IVAtleta cai em um colchão
A cadeia do salto: cinética na corrida (I) → elástica na vara (II) → gravitacional no alto (III).
a)a energia cinética, representada na etapa I, seja totalmente convertida em energia potencial elástica representada na etapa IV.
b)a energia cinética, representada na etapa II, seja totalmente convertida em energia potencial gravitacional, representada na etapa IV.
c)a energia cinética, representada na etapa I, seja totalmente convertida em energia potencial gravitacional, representada na etapa III.
d)a energia potencial gravitacional, representada na etapa II, seja totalmente convertida em energia potencial elástica, representada na etapa IV.
e)a energia potencial gravitacional, representada na etapa I, seja totalmente convertida em energia potencial elástica, representada na etapa III.

Para atingir a maior altura, toda a energia cinética da corrida precisa terminar como energia potencial gravitacional no alto. A vara é o intermediário: guarda a energia como elástica e a devolve.

Síntese

As energias da mecânica, lado a lado

EnergiaNasce do trabalhoFórmulaAtenção
Cinéticada força resultantem · v² / 2v ao quadrado
Potencial gravitacionaldo pesom · g · hh medido a partir do zero escolhido
Potencial elásticada força elásticak · x² / 2x em metros, e ao quadrado
Mecânicaa soma das trêsEc + Epg + Epeconserva-se se só peso e força elástica trabalham
Quem lembra da coluna do meio reconstrói as fórmulas: cada energia é o trabalho que uma força precisou realizar para guardá-la.
Em síntese

O que levar desta aula

  • 01Energia se transforma, se transfere e, somada em todas as formas, se conserva.
  • 02Trabalho é energia transferida por uma força: W = F · d · cos θ, com sinal que diz se a força entrega ou retira energia.
  • 03Cada energia mecânica nasce do trabalho de uma força: a cinética, da resultante; a gravitacional, do peso; a elástica, da mola.
  • 04Sem atrito, a energia mecânica se conserva. Com atrito, ela diminui, e a próxima aula mostra para onde vai.
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