Física · 1º Ano do Ensino Médio

Movimento
Uniformemente
Variado

Quando a velocidade não é constante — ela cresce ou diminui de forma regular. Aceleração entra em cena.

Começar o estudo ↓
v = v₀ + a·t
S = S₀ + v₀t + ½at²
v² = v₀² + 2a·ΔS
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Aceleração

No MRU, a velocidade é constante. No MRUV, ela muda — mas de maneira uniforme, ou seja, com variação constante ao longo do tempo. Quem descreve essa variação é a aceleração.

Aceleração média a = Δv / Δt = (v − v₀) / t Unidade: m/s²  |  É uma grandeza vetorial

A aceleração mede o quanto a velocidade muda por segundo. Se a = 5 m/s², a velocidade aumenta (ou diminui) 5 m/s a cada segundo.

Pontos fundamentais:

  • Aceleração positiva: velocidade aumenta no sentido positivo.
  • Aceleração negativa: velocidade diminui (retardamento) ou cresce no sentido negativo.
  • Aceleração zero: velocidade constante — é o MRU.
  • No MRUV, a aceleração é constante ao longo do tempo.

Exemplo:

Um carro parte do repouso (v₀ = 0) e atinge v = 30 m/s em t = 6 s.

a = (30 − 0) / 6 = 5 m/s²

A cada segundo, a velocidade cresce 5 m/s.

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Função Horária da Velocidade

A velocidade de um móvel em MRUV varia linearmente com o tempo. A equação que descreve isso é:

Função horária da velocidade v = v₀ + a · t v₀ = velocidade inicial (m/s)  |  a = aceleração (m/s²)  |  t = tempo (s)
📈

Esta é uma função do 1º grau em t. No gráfico v × t, o resultado é uma reta inclinada: a inclinação (coeficiente angular) é exatamente a aceleração a, e o intercepto vertical é v₀.

Interpretando a equação v = v₀ + at:

  • v₀: valor de v quando t = 0 (intercepto no eixo v)
  • a > 0: reta crescente — velocidade aumenta
  • a < 0: reta decrescente — velocidade diminui
  • a = 0: reta horizontal — MRU

Exemplo:

Um trem com v₀ = 10 m/s acelera com a = 3 m/s².

Função: v(t) = 10 + 3t

Em t = 4 s: v = 10 + 3 × 4 = 22 m/s

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Função Horária da Posição

A posição de um móvel em MRUV varia de forma quadrática com o tempo. A equação é obtida integrando a velocidade (ou calculando a área sob o gráfico v × t):

Função horária da posição S = S₀ + v₀ · t + ½ · a · t² Função do 2º grau em t — gráfico é uma parábola
📐

O gráfico S × t no MRUV é uma parábola. A abertura é para cima quando a > 0 e para baixo quando a < 0. O vértice da parábola corresponde ao instante em que a velocidade é zero.

Significado de cada termo:

  • S₀: posição quando t = 0 (intercepto no eixo S)
  • v₀t: contribuição do movimento inicial (como no MRU)
  • ½at²: correção devida à aceleração — cresce com t²

Exemplo:

Objeto com S₀ = 0, v₀ = 5 m/s e a = 2 m/s²:

S(t) = 0 + 5t + ½ × 2 × t² = 5t + t²

Em t = 3 s: S = 5 × 3 + 9 = 15 + 9 = 24 m

🚗

Simulação interativa: ajuste v₀, a e s₀ e veja o carro se mover com a posição e velocidade calculadas em tempo real pelas funções horárias.

04

Equação de Torricelli

Às vezes não conhecemos o tempo e não queremos calculá-lo. A equação de Torricelli relaciona diretamente as velocidades e o deslocamento, eliminando o t:

Equação de Torricelli v² = v₀² + 2 · a · ΔS ΔS = S − S₀ = deslocamento  |  Derivada combinando as duas funções horárias
🎯

Use Torricelli quando o problema não dá o tempo nem pede o tempo — mas envolve velocidades iniciais, finais e deslocamento. É a equação ideal para cálculos de frenagem, por exemplo.

Como a equação é derivada:

  • De v = v₀ + at → t = (v − v₀)/a
  • Substitui em ΔS = v₀t + ½at²
  • Após simplificar: v² = v₀² + 2aΔS

Exemplo — frenagem:

Um veículo com v₀ = 10 m/s freia com a = −5 m/s² até parar (v = 0).

0 = 100 + 2 × (−5) × ΔS  →  ΔS = 100/10 = 10 m

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Velocidade Média no MRUV

No MRUV existe uma fórmula especialmente simples para a velocidade média, válida porque a variação de velocidade é uniforme:

Velocidade média no MRUV vm = (v₀ + v) / 2 Média aritmética das velocidades inicial e final
Relação com o deslocamento vm = ΔS / Δt Definição geral de velocidade média — também vale no MRUV
⚖️

No MRU, a velocidade média é igual à velocidade (constante). No MRUV, como v varia linearmente, a velocidade média é exatamente a média aritmética das velocidades extremas — o ponto médio da reta v × t.

Exemplo de aplicação:

  • v₀ = 0, v = 20 m/s: vm = (0 + 20)/2 = 10 m/s
  • Se o intervalo for Δt = 5 s: ΔS = 10 × 5 = 50 m
  • Esse resultado coincide com a fórmula S = v₀t + ½at²
06

Gráficos do MRUV

O MRUV produz três gráficos característicos. Saber ler cada um é essencial para resolver problemas e interpretar situações físicas:

S × t — Posição

  • Curva parabólica (2º grau)
  • Vértice: ponto onde v = 0
  • Abertura ↑ se a > 0; ↓ se a < 0

v × t — Velocidade

  • Reta inclinada (1º grau)
  • Inclinação = aceleração a
  • Área sob a reta = deslocamento

a × t — Aceleração

  • Reta horizontal (constante)
  • a = cte em todo o movimento
  • Área = variação da velocidade

🎛️ Explore os gráficos:

Como ler os gráficos:

  • Parábola com concavidade para cima: a > 0 (acelerado no sentido positivo)
  • Parábola com concavidade para baixo: a < 0 (retardado ou acelerado no negativo)
  • Reta v×t crescente: a > 0; decrescente: a < 0
  • Reta v×t cruza v = 0: o objeto inverteu o sentido do movimento
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Classificação do MRUV

O MRUV pode ser classificado de duas formas independentes: quanto ao crescimento da velocidade e quanto ao sentido do movimento.

🚀

MRUV Acelerado

v e a têm o mesmo sinal

O módulo da velocidade aumenta.

|v| cresce com t
🛑

MRUV Retardado

v e a têm sinais opostos

O módulo da velocidade diminui.

|v| decresce com t

E quanto ao sentido:

Progressivo

Velocidade positiva: v > 0

Move-se no sentido positivo.

Retrógrado

Velocidade negativa: v < 0

Move-se no sentido negativo.

Os 4 casos combinados:

vaTipo|v| ao longo do tempo
+ +Acelerado progressivoAumenta
+Retardado progressivoDiminui
+Retardado retrógradoDiminui
Acelerado retrógradoAumenta
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Queda Livre

A queda livre é um caso especial de MRUV em que o único agente é a gravidade, sem resistência do ar. Qualquer objeto — seja pesado ou leve — cai com a mesma aceleração.

Aceleração gravitacional — próximo à superfície da Terra g ≈ 9,8 m/s²  ≈  10 m/s² (aproximação adotada no EM) Valor específico da Terra, medido em regiões próximas à sua superfície — cada astro tem o seu próprio g
🍎

Galileu Galilei demonstrou experimentalmente que objetos de massas diferentes caem igualmente — derrubando a ideia aristotélica de que objetos pesados caem mais rápido. Na ausência de ar, uma pena e um martelo chegam ao chão ao mesmo tempo!

g em outros corpos celestes:

Corpo celesteg (m/s²)Comparação com a Terra
Terra≈ 9,8referência
Lua≈ 1,6≈ 1/6 da Terra
Júpiter≈ 24,8≈ 2,5× a Terra

Na Lua, um astronauta consegue saltar cerca de 6 vezes mais alto com o mesmo esforço. Em Júpiter, a mesma pessoa pesaria aproximadamente 2,5 vezes mais do que na Terra.

🧭

O sinal de g depende do referencial adotado. Se o eixo positivo aponta para cima (↑), a gravidade atua no sentido negativo: a = −g ≈ −9,8 m/s². Se o eixo positivo aponta para baixo (↓), a = +g ≈ +9,8 m/s². Nas equações a seguir usamos g como grandeza positiva (em módulo), com h indicando a distância percorrida em queda.

Equações da queda livre (partindo do repouso, v₀ = 0) v = g · t   |   h = ½ · g · t²   |   v² = 2 · g · h h = distância percorrida em queda (grandeza positiva em módulo)

Exemplo:

Uma pedra é largada do repouso de uma ponte. Após t = 4 s:

v = 10 × 4 = 40 m/s

h = ½ × 10 × 16 = 80 m

Condições para a queda livre ideal:

  • Sem resistência do ar (vácuo ou aproximação).
  • Objeto largado do repouso (v₀ = 0).
  • Aceleração g constante, vertical e de valor local (depende do astro).
  • Na prática, objetos densos (bola de metal) aproximam bem o ideal.
09

Lançamento Vertical

No lançamento vertical, o objeto parte com velocidade inicial diferente de zero, verticalmente. Existem dois casos: lançamento para cima e lançamento para baixo.

⬆️

Para cima

v₀ > 0, a = −g = −10 m/s²

Sobe desacelerando, para em hmax, depois cai.

hmax = v₀² / (2g)
⬇️

Para baixo

v₀ > 0 (para baixo), a = g = +10 m/s²

Queda livre com velocidade inicial.

v = v₀ + g·t
🔁

No lançamento para cima, o movimento tem simetria: o tempo de subida é igual ao tempo de descida, e a velocidade de chegada ao ponto de partida tem o mesmo módulo que v₀ (só inverte o sentido).

Lançamento vertical para cima tsubida = v₀ / g   |   hmax = v₀² / (2g) Na altura máxima: v = 0, mas a = g (a gravidade não para!)

Exemplo:

Uma bola é lançada para cima com v₀ = 20 m/s. (g = 10 m/s²)

tsubida = 20/10 = 2 s

hmax = 20²/(2 × 10) = 400/20 = 20 m

Retorna ao ponto de partida com v = −20 m/s (mesmo módulo, sentido oposto).

Aplicações no cotidiano:

  • Basquete/vôlei: cálculo da trajetória vertical da bola.
  • Fogos de artifício: tempo de subida determina onde explode.
  • Elevadores e prédios: tempo de queda em emergências.
  • Saltos em esportes: altura máxima e tempo de voo.
  • Meteorologia: modelos de queda de granizo e chuva.

🧮 Calculadora MRUV

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